De luizfelipeponde.wordpress.com
"O
amor é um tango. Hoje vou contar uma história de amor que ouvi de alguém
esses dias. Esta história é real e nos faz pensar, afinal, quem somos
nós.
Tibério era
um jovem promissor. De boa família e com bons antecedentes, era visto
como alguém inteligente, vivo e alegre. Vivia sua vida, numa casa de
classe A, quando, numa noite de calor, viu alguém chegar à vizinhança.
Loira, naquela idade que as avós chamavam de menina-moça, mesmo que
ainda novinha, já se mostrava pronta para um investimento erótico.
Lola
passeava pela vizinhança, livre e senhora de si, como são as fêmeas da
espécie quando seguras de sua beleza e de seu charme. Para o coração do
jovem Tibério, aquilo foi demais.
Ficou obcecado por Lola. Tentou voltar para sua vida pré-Lola, mas não adiantou.
Nada do que tinha fazia mais sentido, pensava naquela jovem loira todo o
tempo. Ficava parado olhando para parede, como se sua casa, sua vida e
seus objetos de valor tivessem se esvaziado de sentido. Se Tibério
soubesse filosofia, diria que a vida perdera o significado.
Ele era ainda virgem. No fundo da alma, se envergonhava disso e preferia que este fato permanecesse em segredo.
Mas, de
repente, tomou uma decisão e resolveu abordar a bela e irresistível
Lola, a loira arrasadora do “cartier”, como dizem os franceses. Quem
sabe, pensou Tibério no silêncio de sua alma, ela fosse, ainda que jovem
e virgem, uma loira devassa em potencial? Pelo caminhar dela,
balançando, ainda que discretamente, as promissoras ancas, ele pensou
que tinha alguma chance.
Chegou perto
e tentou falar com ela. Nada. Aquele olhar de desprezo que só fêmeas
lindas da espécie sabem dar quando percebem que algum jovem candidato
está por perto. Mas, percebia Tibério, Lola o olhava pelo canto dos
olhos.
Tibério
tinha razão. Ela estava dando sinais de interesse. Aproximou-se e tentou
chegar bem pertinho. Lola, literalmente rosnou para ele. De primeira,
Tibério temeu que ela o fosse morder de fato.
Tibério
correu para casa, temeroso. Mas o desejo era grande, e Lola seguramente o
olhava de longe, com olhos doces. Todos os seus genes ancestrais
diziam: “Tibério, vá fundo, cara!”.
O jovem voltou à carga. Pensou naquilo que todo macho pensa: “Ela quer um presente!”. Não tinha nada à mão e, infelizmente, dependia da sua família para ir a um shopping, portanto teve uma ideia desesperada: “Vou dar para ela o que eu mais gosto e assim ela vai ver que eu quero muito ficar com ela“.
Correu e
pegou um objeto (pouco importa o que era, mas sim o valor que tinha para
ele; de longe alguém diria que não passava de uma bola). Colocou
carinhosamente o objeto diante da bela Lola. Ela, de novo, desprezou o
infeliz Werther. Recuou. De longe, de novo, percebeu o discreto sorriso
da bela Lola. Ela estava mesmo dançando um tango com ele: quando ele ia,
ela recuava, quando ele recuava, ela vinha.
Uma dor
grande se apoderou do pobre coração apaixonado. Mas, de novo, seus genes
clamavam pela jovem Lola. Decidiu fazer-se de macho poderoso do pedaço e
se aproximou confiante.
De repente,
assim como quem ia roubar um beijo e um abraço, Tibério tentou se
apossar de Lola. Ela, agora sem dúvida nenhuma, rosnou e o mordeu sem
pena.
Tibério
fugiu humilhado. Perdido, tentou comer alguma coisa. Mas, de novo tomado
pelo amor, pensou se Lola não o aceitaria em troca de sua comida
importada, mesmo que por um segundo tivesse pensado que aquilo não eram
modos de abordar uma dama fina como Lola.
Docemente,
ele empurrou a comida para ela. Lola comeu a comida dele e virou de
costas. Tibério ficou arrasado e sentou-se, triste, enquanto a
contemplava pela porta de vidro. Lola olhou para ele e ensaiou um
sorriso, mas não adiantou. Tibério já estava triste e adormeceu. No dia
seguinte, à mesma hora que Lola chegara, reconhecendo o carro, correu
para o porta-malas para ver se a bela Lola voltara. Mas não.
Alguém
perguntará: como uma bela dama pode vir num porta-malas? Simples: basta
ela ser uma golden retriever, e ele, um border collie.
Esse definitivamente é um dos melhores contos que já li! Adorei!
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