quarta-feira, 11 de dezembro de 2013


Ryan e as bolhas de tempo

O menino é realmente muito esperto. Apesar de não ter muito gosto por escola e moleza de escrever, é dono de uma astúcia tremenda.
Imagine: as pedrinhas da calçada são casa para peixe. Sua bicicleta é um veículo que pode percorrer o espaço.
Na fantasia de seus pensamentos, os cabelos brancos não indicam velhice. As árvores de natal jamais podem ser tortas: se forem tortas, são feias.
Ele flutua pelo mundo dizendo que a sua cor é parda e enchendo a barriga de comida. Coisa que ele também faz é chorar pra ir pra escola. “A professora é chata” (...) “mas o tempo passa rápido”, ele diz. Então quase não sofre. É só um chorinho manhoso.
Ele pensa sobre o tempo. Diz coisas assim: “o tempo passa rápido né? É só piscar o olho que já passou”. E aí a gente olha para ele, absorto. E ele tá lá, com cara de dúvida. Mas rapidinho sai com a sua bicicleta que percorre o espaço.
Criança percebe o mundo. Mas eles não vagueiam. Só flutuam nas bolhas do tempo.