Ryan e as bolhas de tempo
O menino é realmente muito esperto. Apesar de não ter muito gosto por escola e moleza de escrever, é dono de uma astúcia tremenda.
O menino é realmente muito esperto. Apesar de não ter muito gosto por escola e moleza de escrever, é dono de uma astúcia tremenda.
Imagine: as pedrinhas da calçada são casa para peixe. Sua
bicicleta é um veículo que pode percorrer o espaço.
Na fantasia de seus pensamentos, os cabelos brancos não
indicam velhice. As árvores de natal jamais podem ser tortas: se forem tortas, são feias.
Ele flutua pelo mundo dizendo que a sua cor é parda e
enchendo a barriga de comida. Coisa que ele também faz é chorar pra ir pra
escola. “A professora é chata” (...) “mas o tempo passa rápido”, ele diz. Então
quase não sofre. É só um chorinho manhoso.
Ele pensa sobre o tempo. Diz coisas assim: “o tempo passa
rápido né? É só piscar o olho que já passou”. E aí a gente olha para ele,
absorto. E ele tá lá, com cara de dúvida. Mas rapidinho sai com a sua
bicicleta que percorre o espaço.
Criança percebe o mundo. Mas eles não vagueiam. Só
flutuam nas bolhas do tempo.