quarta-feira, 11 de dezembro de 2013


Ryan e as bolhas de tempo

O menino é realmente muito esperto. Apesar de não ter muito gosto por escola e moleza de escrever, é dono de uma astúcia tremenda.
Imagine: as pedrinhas da calçada são casa para peixe. Sua bicicleta é um veículo que pode percorrer o espaço.
Na fantasia de seus pensamentos, os cabelos brancos não indicam velhice. As árvores de natal jamais podem ser tortas: se forem tortas, são feias.
Ele flutua pelo mundo dizendo que a sua cor é parda e enchendo a barriga de comida. Coisa que ele também faz é chorar pra ir pra escola. “A professora é chata” (...) “mas o tempo passa rápido”, ele diz. Então quase não sofre. É só um chorinho manhoso.
Ele pensa sobre o tempo. Diz coisas assim: “o tempo passa rápido né? É só piscar o olho que já passou”. E aí a gente olha para ele, absorto. E ele tá lá, com cara de dúvida. Mas rapidinho sai com a sua bicicleta que percorre o espaço.
Criança percebe o mundo. Mas eles não vagueiam. Só flutuam nas bolhas do tempo.

sábado, 30 de novembro de 2013



















Da menina ligeira, a aparência era muda
Verga, magra, pálida,
Mas cabelo harmônico

Suas transas mecânicas
e seu corpo junto com pele velha, mofada, corrupta

Tudo isso pra curto dinheiro e comida sem sal

(...)

Treze anos é pouco para ser mulher









quarta-feira, 18 de setembro de 2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

a falta de liberdade me incomodava
matei meus passarinhos
arranquei as penas
costurei uma asa
e voei

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Já não me sinto caminhando sobre ilusões nos dias e noites que seguem. Era como se pernas pesadas tivessem de ser arrastadas esforçadamente e o belo correr das tristezas e felicidades não causassem harmonia ou dissonância. Era torpe, tedioso...
Agora quero mergulhar no oceano dos acontecimentos, colher as coisas minhas e suas que vierem para transformar. A vida está toda ao meu redor.
Eu te amo e não é só por amar. É por te viver.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O corpo estava ali. Lívido, imóvel e caído como se estivesse morto. Em um momento entendeu o motivo das lágrimas serem salgadas.
Lembrou-se do soco que deu no próprio estômago ao sentir aquela pontada dolorida. Foi na noite passada, depois de tomar aquele conhaque velho que há muito estava em cima da mesa.
Ela deu um soco no próprio estômago. Deu como se tivesse dado em outra pessoa. Ela achou que não doeria, mas doeu. Foi uma apontada aguda, seguida de uma gastrite.
Quando pensou no autosoco, sentiu vontade de rir: “que criatura ridícula”. Mas aquilo ali passou logo. Pensou nos homens com os quais dormiu, da sua mãe morta e do pai infeliz que ela não via há tanto tempo. 
Então se lembrou de momentos antes do soco. Da calcinha e da camiseta velha que vestia. Do gosto do conhaque barato. Mesmo depois de bêbada continuo tendo aquelas visões, aquelas tristezas sobre sua vida miserável. 
Pensou em tirar a mangueirinha do fogão e inalar o gás. Mas ela estava bêbada. Aquilo tinha que ser feito com consciência. 
Quis acordar. Tinha que acordar, se livrar daquele monte de erros. Teve pena de si, e pela pena teve ódio. E se deu um soco. Não se lembrava do exato momento em que decidiu. Só sabia que depois permanecera no chão durante muito tempo. E ali ainda estava. As lágrimas já tinham secado e sua boca estava entreaberta, como da forma que caíra. Arrependeu-se do soco. Não sabia como levantar. Ninguém estava ali para ajudar.
E novamente teve pena de si. Um soco num corpo oco.



segunda-feira, 12 de agosto de 2013

*Lucia conheceu Rafael. Eles transaram no segundo encontro. Não tinham camisinha. Ele gozou dentro. Ela engravidou. Se casaram depois de 4 meses. Terminaram depois de 3.
*Juliano se apaixonou por Vera. Ela não gostava muito dele. Se casou mesmo assim. Fugiu depois de 1 ano.
*Clarice se envolveu com Jonas. Casaram. Tiveram dois filhos. Ele continuou saindo com homens.
*Elaine casou com o antigo namorado. Eles não tinham dinheiro. Ela esqueceu o amor.
*Raquel namorou o paquera da faculdade. Se casaram. Riam o tempo todo. Foram felizes.



terça-feira, 6 de agosto de 2013

Um capitão nunca sabe com certeza como o seu habitual mar ficará. E eu, como capitã de uma alma inquieta, navego pela imensidão de pensamentos e dúvidas salgadas, barulhentas, incontroláveis.  Assim como no mar, não posso desistir de navegar. Se desistir, imaginações tormentosas farão de mim uma eterna náufraga.