segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Schiele


O sorriso meio baixo, meio alto, braço meio duro, meio solto. O coração sempre submerso. Os olhos não largam as lágrimas porque um olho poético é feito assim. O sentimento não está na pele, mas nas vísceras.  Não há riqueza na casa do poeta, e quando morrer, do corpo cheio de solidão no estômago não sobrará nem os dentes. Uma colcha de retalhos mal costurada de amores imperfeitos é a pele de um sofredor.
Na casa dele não tem campainha porque não há ninguém que possa entrar. Fazer de conta entre os outros é um trabalho já indolor, a vida de um poeta fingidor, que diria redundante, é sempre trágica, mas não triste.
O sentimento maior de mim é a melancolia, líquido corrente de um corpo cheio de poesia.

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