Schiele
O sorriso
meio baixo, meio alto, braço meio duro, meio solto. O coração sempre submerso.
Os olhos não largam as lágrimas porque um olho poético é feito assim. O
sentimento não está na pele, mas nas vísceras.
Não há riqueza na casa do poeta, e quando morrer, do corpo cheio de solidão
no estômago não sobrará nem os dentes. Uma colcha de retalhos mal costurada de
amores imperfeitos é a pele de um sofredor.
Na casa dele
não tem campainha porque não há ninguém que possa entrar. Fazer de conta entre
os outros é um trabalho já indolor, a vida de um poeta fingidor, que diria redundante,
é sempre trágica, mas não triste.
O sentimento
maior de mim é a melancolia, líquido corrente de um corpo cheio de poesia.

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