Felicidade são bolhas efêmeras de sabão por entre meus
dedos.
Tristeza é um pedaço do inexistente ancorado numa superfície
indiferente.
Mariana entrou no quarto para apagar a luz. Percebeu que
entre chuvas e ventos o que estava ali agora era quase um pedaço de floresta
malcuidada. Teve pena da árvore, que provavelmente teria perdido muitas folhas.
Talvez estivessem fracas demais para aguentar os ventos outonais e a partida
foi uma boa escolha. Forte escolha.
Pegou a vassoura para limpar o chão, meio terrento, e
varreu-as uma por uma, pondo-as cuidadosamente dentro de um saquinho de lixo.
Após esse trabalho minucioso, descarregou o saco no jardim da casa.
Voltou para o quintal, mesmo depois de ter pegado
novamente o livro que estava lendo. O mesmo livro, o mesmo livro, mesmíssimo
livro, mesmo livro há um mês.
Voltou para dentro, abriu a torneira com a água gelada e
lavou os cabelos. Secou a cabeça toda e penteou os fios. Colocou o moletom cinza,
já fino pela idade e típico dos sábados frios.
Voltou a sentar no sofá. Da onde estava observava agora o
vaso de vidro cheio de folhas que havia providenciado minutos antes, ainda um
pouco úmidas da chuva.
Como uma árvore grande, erudita, permaneceu ali. Olhos novamente para o vaso.
Quebrou seus galhos e deixou as folhas irem.
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