quinta-feira, 29 de maio de 2014

Felicidade são bolhas efêmeras de sabão por entre meus dedos.
Tristeza é um pedaço do inexistente ancorado numa superfície indiferente.

 *

Mariana entrou no quarto para apagar a luz. Percebeu que entre chuvas e ventos o que estava ali agora era quase um pedaço de floresta malcuidada. Teve pena da árvore, que provavelmente teria perdido muitas folhas. Talvez estivessem fracas demais para aguentar os ventos outonais e a partida foi uma boa escolha. Forte escolha.
Pegou a vassoura para limpar o chão, meio terrento, e varreu-as uma por uma, pondo-as cuidadosamente dentro de um saquinho de lixo. Após esse trabalho minucioso, descarregou o saco no jardim da casa.
Voltou para o quintal, mesmo depois de ter pegado novamente o livro que estava lendo. O mesmo livro, o mesmo livro, mesmíssimo livro, mesmo livro há um mês.
Voltou para dentro, abriu a torneira com a água gelada e lavou os cabelos. Secou a cabeça toda e penteou os fios. Colocou o moletom cinza, já fino pela idade e típico dos sábados frios.
Voltou a sentar no sofá. Da onde estava observava agora o vaso de vidro cheio de folhas que havia providenciado minutos antes, ainda um pouco úmidas da chuva.
Como uma árvore grande, erudita, permaneceu ali.  Olhos novamente para o vaso.
Quebrou seus galhos e deixou as folhas irem.


Nenhum comentário:

Postar um comentário